Entrevista com Lincoln Lopes (AMB): “Projeto para transformar a USG em especialidade médica será bem recebido e encaminhado para os canais devidos”

O presidente eleito da Associação Médica Brasileira, Lincoln Lopes Ferreira, concedeu uma entrevista para a Sociedade Brasileira de Ultrassonografia. Segundo o presidente, o título de especialista se assemelha a um selo de qualidade que informa que aquele médico está apto para exercer uma área de atuação. Diante da solicitação feita pela diretoria da SBUS para transformar a ultrassonografia em especialidade médica, Lincoln afirmou que a AMB receberá o projeto, que está sendo desenvolvido pela SBUS, e encaminhará para os canais devidos para a discussão dos pares. Confira a entrevista completa:

SBUS: Quais foram os principais desafios enfrentados nestes primeiros dias à frente da AMB?

Lincoln: Todo início de gestão possui características próprias. Na AMB não foi diferente. Passamos por uma eleição muito disputada e algumas questões ainda persistem na esfera judicial. Mas, em linhas gerais, estabelecemos um programa de controle financeiro e gestão de pessoal. Tudo bem definido e estabelecido. Já temos algumas etapas de muito sucesso neste início como a união das entidades médicas, diferente do que acontecia já há algum tempo. A Federação Nacional dos Médicos e o Conselho Federal de Medicina juntos à Associação Médica Brasileira fizeram reuniões e acertaram prontos principais. Nos dias 29 e 30 de maio, acontecerá o Encontro Nacional de Entidades Médicas que há anos não ocorria. Será um encontro estratégico em um ano político em que é fundamental que as entidades médicas estejam preparadas para levar um rol de demandas e propostas comuns e, se possível, estabelecer de maneira coordenada uma representação parlamentar.

Estamos discutindo um Programa de Educação Continuada com o Ministério da Saúde. Este projeto se encontra em uma fase já avançada. Estamos discutindo, em relação ao MEC, juntamente com outras entidades, a questão do ensino médico. É notório que com o recente crescimento do número de escolas, o país extrapolou sua capacidade de formar médicos com um mínimo de qualidade. Estes foram e têm sido os grandes pontos e desafios de começo de gestão.

 

SBUS: Como tem sido a relação da AMB com suas Federadas do Centro-Oeste, mais especificamente com Goiás?

Lincoln: Felizmente, a relação entre a AMB e a AMG é, na origem, a melhor possível. Os colegas apresentam um grau de qualidade e uma afinidade de ideias que facilita enormemente o trabalho. A própria iniciativa da AMG em transformar seus lotes em um enorme patrimônio é visto pela AMB e, particularmente, por mim, como um marco e poderá, eventualmente, servir de exemplo para as outras Federadas.

O projeto no Centro-Oeste é de integração. Na realidade, nós temos hoje uma afinidade grande com a Associação Médica de Brasília, Associação Médica de Goiás e também do Mato Grosso do Sul. Temos ainda uma afinidade grande com a Associação Médica de Mato Grosso, mas é justamente ali que devemos juntar esforços para trazê-los ainda mais para perto da Nacional. A região Centro-Oeste é uma região rica, centralizada e grande. Nós temos que levar todas estas questões em consideração ao analisar os projetos a serem desenvolvidos. A ideia é ser mais integrativo possível, ou seja, a Medicina que se exerce em Goiás e em todo o território goiano tenha um padrão de qualidade equivalente aos demais Estados do Brasil. Para que isto ocorra em toda a Federação, é preciso trabalhar projetos de cursos e de educação continuada.

 

SBUS: Qual a importância do título de especialista para a atuação médica e sua qualidade no atendimento à população?

Lincoln: A Medicina é muito ampla. O conhecimento médico se expande vertiginosamente, o que faz com que aquele médico tradicional que existia há 40 ou 50 anos não mais seja possível existir devido ao grande volume de conhecimento. Daí existe a necessidade de especialização, ou seja, sem perder o denominador comum ou a plataforma de médicos e do conhecimento geral básico da Medicina, as pessoas vão se aprofundando em campos que exigem estudo e aptidão específicos.

É importante frisar que ao partir para uma área específica de atuação, o colega deve fazer da maneira correta e ser certificado perante a sociedade. Daí a importância do título de especialista que se assemelha a um selo de qualidade que informa que aquele médico está apto para exercer uma área de atuação.

As maneiras de titulação hoje no Brasil são duas: por meio da residência médica (MEC) e pela Associação Médica Brasileira que titula por intermédio de suas Sociedades. O papel da AMB é cada vez mais importante, pois prestamos um serviço para a população ao dizer que determinado médico é portador de um título de excelência que lhe permite atuar na especialidade que se propõe a fazer.

 

SBUS: Os ultrassonografistas têm lutado para transformar a ultrassonografia em especialidade médica. Como a AMB se posiciona perante esta solicitação?

Lincoln: Na Medicina, à medida que vai se ampliando conhecimento, vão se tornando necessárias modificações na estrutura que temos hoje. Ou seja, conhecimento amplia, a população envelhece e novos campos e necessidades profissionais vão surgindo. Neste aspecto, a AMB é uma espécie de catalisador, pois recebe as demandas e as coloca em discussão perante os pares. A entidade não se posiciona contra ou a favor da criação de uma nova especialidade. Ela entende que novas especialidades serão criadas ante a ampliação do conhecimento e às demandas da população.

Especificamente em relação à ultrassonografia, já temos conversado há algum tempo, receberá um tratamento isonômico, ou seja, o projeto será muito bem recebido pela AMB e encaminhado para os canais devidos para a discussão dos pares. O projeto deve vir bem fundamentado, mostrando o desenvolvimento, a importância e a extensão do trabalho. A utilização da ultrassonografia hoje é muito ampla em vários aspectos e envolvem muitos colegas. Consequentemente uma fundamentação adequada e um histórico comparativo ao que ocorre em outros países são fundamentais para que esta demanda dos colegas obtenha êxito entendendo que o posicionamento da AMB é estrutural. Uma vez discutido e aprovado, a AMB providencia o reconhecimento.

 

SBUS: Qual a sua mensagem para o médico goiano?

Lincoln: Deixo aqui minha mensagem de otimismo e chamamento à união. Este ano de 2018 é bastante emblemático e devemos trazer para as nossas mãos o destino deste país. Somos formadores de opinião e devemos trazer para as nossas mãos linhas de pensamentos e valores para a nossa sociedade. Nossa missão, além de curar e tratar os pacientes, neste momento terá um adicional que é transformar este enorme aglomerado humano, ocupando este fantástico espaço geográfico chamado Brasil, em uma sociedade que partilha de valores, rumos e objetivos comuns. Uma sociedade que seja inclusiva, ou seja, que permita a grande maioria de seus cidadãos levar à cabo seus sonhos e expectativas. Felizmente, dispomos de vastos recursos naturais e vastos espaços para que cada cidadão possa ter uma vida decente, ética, feliz e contributiva para a sociedade como um todo.