Julho verde: Ultrassonografia pélvica transvaginal auxilia no diagnóstico do câncer ginecológico

 

“Julho é o mês da conscientização para o câncer ginecológico. Para a grande maioria dos cânceres, o diagnóstico precoce está relacionado a altas taxas de cura. Esse é o real motivo de todas essas campanhas de conscientização: salvar vidas com o diagnóstico precoce. A ultrassonografia pélvica transvaginal, como exame complementar, ajuda no diagnóstico desses tumores e, quando necessário, outros exames podem ser realizados, como a ressonância magnética”

 

Por Sandra Regina Campos Teixeira
Médica radiologista. Mestra pela UNICAMP em Ciências da Saúde na área de Oncologia Ginecológica e Mamária.

 

Quando se fala em Saúde da Mulher, logo nos vem à cabeça o câncer de mama. Por que isso acontece? Primeiramente, pela frequência. O câncer de mama feminino é o segundo câncer mais frequente no Brasil, ficando atrás apenas dos cânceres de pele não melanoma. Apenas neste ano, são esperados 66.288 novos casos de câncer de mama, com uma incidência de 61,6 novos casos para cada 100.000 mulheres. Outra razão de ser tão lembrado, muito provavelmente, são as campanhas de conscientização.
No Brasil, as campanhas de conscientização do câncer de mama começaram em 2002, com o Outubro Rosa, simbolizado pelo laço rosa, como já ocorria em outros países. O que antes era um tabu, com medo de mutilações e morte, nem o nome era dito, passou a ser assumido, compartilhado, ajudando a reduzir o preconceito e orientando as mulheres sobre o que fazer, como proceder para diagnosticar, tratar, trazendo um maior acolhimento.
Mas a mulher é muito mais que um par de mamas, certo? Infelizmente, há outros vários outros tipos de câncer que podem acometer homens e mulheres e alguns deles exclusivamente mulheres. São eles os cânceres ginecológicos.
A partir de 2011, começou a se fazer campanha de conscientização do câncer de colo uterino, juntamente com o de mama, no Outubro Rosa.
Finalmente surgiu o Julho Verde, mês da conscientização do Câncer Ginecológico. Muitas mulheres, felizmente, já têm o hábito que procurar o ginecologista anualmente. Mas uma parte considerável da população feminina só o faz quando tem algum problema. Isso pode levar a diagnósticos tardios, com implicações que vamos falar abaixo.
Quais são os tumores ginecológicos? O mais comum é o câncer de colo uterino, seguido pelos cânceres de corpo uterino e de ovário, além de outros cânceres menos frequentes, como câncer de vulva e vagina.
Com uma incidência estimada de 16.590 novos casos em 2020, ou 15.5 novos casos para cada 100.000 mulheres, o câncer de colo uterino é causado pelo HPV (papiloma vírus humano). Nem toda paciente portadora desse vírus, HPV, terá câncer de colo uterino, mas uma infecção persistente pode levar a isso. A descoberta desse vírus como causa trouxe uma importante contribuição na luta contra essa doença, possibilitando o desenvolvimento de uma vacina. Espera-se que com o tempo, quando a maior parte da população, masculina e feminina, tenha sido vacina, que possamos erradicar, eliminar esse tipo de câncer, que ainda hoje é responsável por várias mortes. Quem já é vacinada, deve continuar fazendo acompanhamento com o ginecologista, colhendo o Papanicolau conforme recomendação das sociedades científicas.
O principal câncer de corpo uterino é o câncer de endométrio, que é o revestimento interno da cavidade uterina. Tem uma incidência estimada de 6.8 casos por 100 mil mulheres ou 6.540 novos casos em 2020. Aparece principalmente na pós-menopausa, sendo sinal de alerta um sangramento vaginal, estando relacionado a obesidade e multiparidade.
Finalmente, temos o câncer de ovário, com uma incidência de 6.18 novos casos por 100 mil mulheres ou 6.650 novos casos em 2020. Alguns subtipos são muito agressivos e, da mesma maneira que na mama, pode ter mutação genética associada. Diferente da mama, não há um método de rastreamento que nos ajude a fazer o diagnóstico precoce até o momento. Mas a dosagem sanguínea de um marcador chamado de CA 125, juntamente com ultrassonografia transvaginal, pode ajudar.
Para todos os cânceres acima, exceto o do colo uterino, não temos uma vacina que o impeçam de aparecer, que seria a chamada prevenção primária. A alternativa é fazer a prevenção secundária, que é o diagnóstico precoce. Para a grande maioria dos cânceres, o diagnóstico precoce está relacionado a altas taxas de cura. Esse é o real motivo de todas essas campanhas de conscientização: salvar vidas com o diagnóstico precoce.
O principal é estar consciente e preocupada com sua saúde. Evitar o “medo de descobrir”. O medo tem de servir para nos ajudar. Tem medo da doença? Descubra rápido, para poder curar-se.
Com isso, criar o hábito de ir ao ginecologista ao menos uma vez ao ano e sempre que tiver alguma queixa como, por exemplo, dor, sangramento, corrimento, perda de peso, aumento de volume abdominal. O exame clínico é fundamental.
A ultrassonografia pélvica transvaginal, como exame complementar, ajuda no diagnóstico desses tumores e, quando necessário, outros exames podem ser realizados, como a ressonância magnética.
Quem procura acha? Sim. Porém, mais que isso: quem procura cura.

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